agosto 28

Excelente entrevista com Zygmunt Bauman sobre a educação.

‘A educação deve ser pensada durante a vida inteira’, diz Zygmunt Bauman
Criador do conceito de ‘modernidade líquida’, filósofo vai palestrar no encontro Educação 360
POR BRUNO ALFANO*
23/08/2015 6:00 / ATUALIZADO 24/08/2015 13:02

‘Nosso sistema educacional é um poderoso mecanismo de, cada vez mais, reproduzir os privilégios entre gerações’, diz Bauman – AFP
PUBLICIDADE

Criador do conceito de ‘modernidade líquida’, forjada pelas relações efêmeras do presente, o célebre filósofo fará uma conferência magna no encontro Educação 360. Nesta entrevista, ele reflete sobre o aprendizado e os desacertos da sociedade em relação ao ensino

Qual a diferença entre educar na era pré-moderna e na modernidade líquida dos dias atuais?

Muita coisa se transformou no trabalho dos professores. Como o educador E. O. Wilson observou, “estamos nos afogando em informação e, ao mesmo tempo, famintos por sabedoria”. A cada dia, o volume de novas informações excede milhões de vezes a capacidade do cérebro humano de retê-las. A mudança da sociedade moderna de sólida para um estágio líquido coincide, segundo a terminologia de Byung-Chul Han (teórico sul-coreano), com a passagem da “sociedade da disciplina” para a “sociedade de desempenho”. Esta última é, principalmente, a sociedade de desempenho individual e da “cultura de afundar ou nadar sozinho”. Mesmo indivíduos emancipados descobrem que eles mesmos não estão à altura das exigências da vida individualizada.

Então, é preciso mudar esse pensamento individualizado?

Nosso sistema educacional é um poderoso mecanismo de, cada vez mais, reproduzir os privilégios entre gerações. Nos Estados Unidos, 74% dos estudantes que frequentam as universidades mais competitivas vêm das famílias mais ricas, e 3%, das mais pobres. Além disso, muitas escolas e universidades induzem à fácil ideologia de que empregos bem remunerados são os únicos objetivos da universidade. Esses são apenas uns dos desafios, erros e negligências da educação contemporânea.

E como será no futuro?

Uma coisa certa é que, num cenário líquido, rápido e de mudanças imprevisíveis, a educação deve ser pensada durante a vida inteira. O resto vai depender de nossas escolhas dentro do que é possível para essa obrigação. E deixa eu enfatizar que esse “nós” que faz as escolhas não é limitado aos profissionais de educação. Para citar Will Stanton (professor australiano), que nos mantém alerta de que há muitos que pretendem ensinar nossos filhos apenas a obedecer: “Devemos aceitar autoridade como verdade em vez da verdade como autoridade”. Ele ainda diz: “O que é a mídia mainstream se não outra plataforma de ‘educação’ defendendo a autoridade como verdade? Nós sentamos em frente ao noticiário noturno e escutamos âncoras e repórteres nos dizendo o que pensar, a quem apontar nossos dedos, porque nosso país precisa ir para a guerra e com o que a gente deve se horrorizar”. Considere ainda o tremendo impacto da indústria da publicidade em nós mesmos ou no que as crianças aprendem ou no que elas foram levadas a esquecer. Por exemplo, crianças não nascem inseguras. A publicidade é que as deixa apavoradas com o que as outras pessoas pensam delas.

O sucesso mundial das redes sociais é um produto da modernidade líquida ou aspecto transformador dela?

As duas coisas. Nós estamos seduzidos pelos recursos das mídias digitais por causa do nosso medo de sermos abandonados. Mas uma vez imerso na rede de relações on-line, que tem uma falsa ideia de ser facilmente manuseada, nós perdemos ou não adquirimos habilidades sociais que poderiam (e deveriam) nos ajudar a extirpar as causas dos medos que vêm do mundo off-line. Assim, as redes sociais são, simultaneamente, produto da modernidade líquida e a sua válvula de escape.

O senhor afirma que o fato de a educação superior não garantir mais ascensão social é um problema para a educação tal qual conhecemos. Qual a solução para esse problema?

Ascensão social é uma sinfonia, não um canto gregoriano monofônico. A educação superior é apenas um dos muitos sons que se fundem na melodia, e um dos muito poucos instrumentos que contribuem para sua evolução. Nós configuramos o problema e torcemos por soluções, como o ensino superior, porque alguns desses “nós” que se preocupam, pensam e escrevem sobre o problema têm ensino superior e passaram anos sendo ensinadas que vivemos em uma “sociedade do conhecimento” que continua sendo transformada pelo tipo de conhecimento definido, armazenado e distribuído por universidades. Isso não é necessariamente correto — pelo menos até quando isso permanecer sem ressalvas. O que nós percebemos como ascensão social é um rio cuja trajetória resulta de vários afluentes. Mais e mais pessoas por trás das mudanças sociais que chamamos de “ascensão” desistiram da universidade ou nunca entraram nela.

Em seu novo livro, “A riqueza de poucos beneficia todos nós?”, o senhor reflete sobre as desigualdades sociais. Qual é o papel da educação nesse contexto?

O sistema universitário de hoje foi incorporado pela economia de mercado capitalista. Ele serve como um outro mecanismo na reprodução de privilégios e aprofundamento das desigualdades sociais. Como diz Fareed Zakaria (escritor americano), enquanto um rapaz de 18 anos da Califórnia recebia a melhor educação possível nos anos 60 “sem qualquer custo”, no ano passado os alunos precisavam pagar uma taxa de matrícula de US$ 12.972 se tivessem nascido no estado; se não, o valor sobe para US$ 22.878 (sem incluir custo de moradia e alimentação; o valor total do momento da matrícula até o diploma ficaria perto de US$ 50 mil por ano para não residentes). Poucos entre os milhões de pais amorosos e cuidadosos têm possibilidades de garantir um valor dessa magnitude. (*Do “Extra”)

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/a-educacao-deve-ser-pensada-durante-vida-inteira-diz-zygmunt-bauman-17275423#ixzz3k95KpVz8
© 1996 – 2015. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Category: Uncategorized | Comentários desativados em Excelente entrevista com Zygmunt Bauman sobre a educação.
agosto 15

Experiências exitosas com documentários

Foram várias hipóteses levantadas em relação a como trabalhar bem com documentários em sala de aula sem ficar aquela sensação de “matar aula”

O que aprendi com os levantamentos.

Antes de passar o documentário para os alunos, é necessário recordar brevemente através de tópicos na lousa o tema discutido na aula anterior.

Após, vem a apresentação do documentário (lousa) com as referências: Título e a que ele se refere.

Enquanto o documentário é exibido, em um espaço deixado na lousa, vou pontuando os conceitos mais importantes que ele quer transmitir, discutir ou polemizar.

Ao final, fica mais fácil, através desta pontuação por tópicos inserir a discussão dentro de tema.

Nas aula que usei esta técnica, a discussão fluiu bem, eles falaram mais do que eu. Isto é importante. Em uma delas, os alunos até organizaram uma visita na Câmara Municipal da cidade, para ver de perto como funciona a “Casa do Povo”. O tema era “As responsabilidades das esferas de poder”

Fiquei muito feliz com o resultado.

Agora que venha a próxima etapa!

Category: Uncategorized | Comentários desativados em Experiências exitosas com documentários
agosto 11

Aula sobre a migração nas outras turmas

Depois de toda a experiência com a primeira turma, fiz algumas mudanças no planejamento, pois o objetivo do documentário para mim em sociologia em sala de aula, é também que os alunos aprendam a ler outras formas de linguagem.

Apliquei o roteiro. Em uma das salas apliquei o roteiro de análise depois que os alunos assistiram o documentário, e o que percebi, e eles também, é que há dificuldade em perceber detalhes importantes.

Nas outras turmas passei logo no início o roteiro de análise com a apresentação do documentário, e sobre o que ele se referia.

Percebi que quando os alunos escreveram a percepção foi muito diferente das outras turmas. O fato de falar previamente sobre o documentário, trouxe mais clareza sobre todas as informações que eles veriam, a leitura visual ficou acho que menos abstrata para eles.

Category: Uncategorized | Comentários desativados em Aula sobre a migração nas outras turmas